O que seria de um vencedor sem suas guerras para lutar?



Se posso te dar um conselho, seria: seja amável e verdadeiro consigo mesmo e com o próximo. Poderia dizer que essa é a chave da vida, aquela que vai te fazer ter dias melhores e chorar menos. 

[...]

Com o passar dos tempos, as sessões de terapia e minhas conversas com Cristo eu aprendi que todo sofrimento é passageiro, do pequeno ao grande, e todos eles nos ajudam a sermos pessoas melhores. Isso acontece quando nos permitimos encará-los de frente, sorrir, chorar, entender, buscar soluções e tentar efetivá-las. É um processo tão difícil que muitos se deixam abater no meio do processo e escolhem ou jogar a dor para debaixo do tapete ou deixar-se ser tomado por ela. Os dias ficam cinzas, tudo incomoda, o choro é uma constante, um incômodo no estômago que não passa, uma vontade de sumir... ela vai moldando nossos dias e quando vemos não estamos mais vivendo a vida, somente sobrevivendo.

Em todos os meus momentos de dor, Cristo esteve comigo. Ele sempre esteve comigo, no dia em que tentei me matar Ele estava lá, no dia que chorei de dor por amor Ele estava lá, no dia que abri meus braços e deixei a dor entrar Ele estava lá, no dia em que o desespero tomou conta de mim Ele estava lá. Em todos esses momentos Ele esteve presente e uma coisa sempre foi muito comum: o silêncio. Lembro da vez em que Ele sentou-se ao meu lado e eu chorava descaradamente e perguntava o motivo daquilo tudo e Ele só olhava, com um olhar de cuidado mas com uma pitada de enigma. Algumas pessoas dizem que Ele trabalha no silêncio, eu digo que não: Ele trabalha no enfrentamento.

Somos matéria, matéria constituída por átomos em movimento, movimento que nos mantém vivos e nos permite amar e vivermos em sociedade. O ser social é constituído por amor, amor ao outro e ao grupo. Amamos a vida inteira, seja nossa família, amigos ou até mesmo desconhecidos. Amamos dia e noite. Esse amor é a materialização da presença de Deus em nossas vidas. Quando me permito fazer uma boa ação eu estou amando e servindo de instrumento de Deus na terra. Quando abraço um amigo, aconselho um colega, ligo para um parente, dou um presente, também estou materializando o divino no meu dia a dia. Cristo é amor, em todas as formas possíveis. 

E ao mesmo tempo em que amamos, sofremos por esse amor. Sofremos quando a demonstração de afeto não é correspondida, quando amamos a pessoa errada, quando desejamos algo que não temos, quando o abraço não é recíproco... vamos sofrendo. 

O sofrimento é uma fase, uma fase chamada deserto, como se fosse uma parte do processo, e quando falo isso não estou romantizando a dor. Algumas pessoas diriam que o deserto é importante para nos conhecermos, eu diria que é primordial. Passar pelo deserto é enfrentar seus medos sem pudor, sem meio termo, sem amarras. Algumas pessoas passam pelo deserto e vencem, outras vivem no deserto a vida inteira. Precisamos entender que o deserto é fase, não estágio final. Cristo ficou 40 dias e 40 noites no deserto, venceu e seguiu. Precisamos vencer e seguir. 

No deserto você vai chorar, vai sofrer, vai ser tentado a seguir o caminho mais fácil. O deserto pode durar uma semana ou uma vida toda, você vai decidir quanto tempo isso tudo vai levar. Nos conhecermos é difícil, e é isso que o deserto faz: te mostra quem você realmente é, mas para isso você precisa estar aberto a se conhecer em sua totalidade. No deserto, você só conseguirá respostas quando for verdadeiro consigo mesmo. Você precisa ser verdadeiro, não vale mentir, nem fantasiar. E tudo, absolutamente tudo, está em suas mãos: o tempo de entrada, de saída, os aprendizados, as respostas, tudo. E somente quando entendi isso é que Cristo passou a falar. 

Todas as vezes que estou abatido e a dor toma conta de mim e eu pergunto a Cristo o motivo daquilo, Ele amorosamente me olha e se mantém em silêncio. Quando me permito questionar aquilo e entender o problema, Ele senta ao meu lado e conversa comigo. O primeiro passo sempre será meu: eu sou o instrumento, Ele é o guia que orienta para a resposta, não a entrega de bandeja. Nos momentos de dores, eu costumo me perguntar o motivo da dor e alí busco freneticamente respostas, como: como isso me afeta? Qual o motivo de me afetar? Qual a proporção desse problema? Essa proporção foi gerada pela vida ou eu que a deixei tomar esse tamanho? Quem sou nesse processo? Quem causou isso tudo? Como eu ajudei para chegar a esse ponto? Como posso solucionar isso? 

Sempre, sempre e sempre escuto a voz de Cristo me orientando nesse processo. Mas ela só aparece quando dou o primeiro passo. Já ouviu falar dos milagres de Cristo na terra? Após as curas, Ele sempre falava: a sua fé te salvou, te curou. Veja, o movimento é interno, não externo. Em todos os momentos, Ele cura influenciado pela fé que é gerada dentro de cada um. O amor também precisa ser assim: amar-se primeiro para poder amar o próximo. Se conhecer para conseguir cumprir a sua missão. Tudo começa aí dentro: o amor, a frustação, a dor, a resposta, o vencer. Os céticos diriam que isso é o básico da terapia, e é mesmo. Mas acredito que esse movimento vai além da ciência, é algo transcendental mesmo.

[...]

Cristo sempre me foi um grande exemplo. Sempre quando as coisas se apertam eu me apego ao exemplo dEle e tento buscar em sua história algo que possa me ajudar a seguir em frente. E Cristo foi sábio, o mais sábio entre os homens. Ele é o exemplo vivo da transcendência. 

Ele vem à terra como homem para morrer pelo seu povo. Seu povo não o recebe, afinal nasceu pobre, não havia beleza, nem formosura. Era simples, o mais humilhado entre os homens. Homem de dores, sabia muito bem o que era padecer. Mas mesmo assim amou. Ele conheceu a dor em sua essência, viu a pobreza, a fome, o sofrimento. Foi tentado e testado para ver se sedia a dor. No deserto, a dor se materializou e tentou tomar conta dEle, mas a enfrentou e venceu. Cristo se identificou com os pobres, comeu com eles, chorou e se animou com eles. Se permitiu se desconstruir, em uma parte da vida é muito formalista e fala que não veio mudar a lei, mas quando vê que não tem mais jeito, rasga o véu do templo e toma a chave do inferno em suas mãos. Em seu leito de morte, acolhe um ladrão e decide mudar a história: muda tudo, a lei, e decide interceder pelos pobres, entrega seu amor pela graça e falece. Seu corpo descansa, recupera-se e Ele acorda. Acorda para um novo dia, muitos precisam dEle. E sobe aos céus, mas fica. Enquanto sobe, sua matéria se dissipa em pequenos fragmentos que tomam conta do ar e são inspirados por todos.

Ele amou, acima de tudo Ele nos amou. Amou de uma forma que decidiu ser exemplo: se frustou quando um amigo querido o negou, quando alimentava aquele que iria o trair, quando as pessoas que curou o ignoraram em seu julgamento, quando os seus não o aceitaram. E Ele não podia morrer sem sofrer isso tudo, pois passamos e passaríamos por momentos de dor e Ele precisava servir de exemplo. Foi humilhado, apanhou, sentiu a dor na pele, os cravos em suas mãos e pés eram para limitá-lo, limitação que Ele venceu. Venceu para nos mostrar que era possível vencer. E em meio a isso tudo Ele sentiu medo, enquanto sua alma era preparada para sua morte, Ele pediu ao Pai que se possível fosse afastasse aquilo, suou sangue, chorou... E seu Pai em silêncio. Cristo precisou se conhecer para entender todo o propósito, e esse é o grande exemplo.

"Eu curo as feridas da sua alma
Não desespere, se acalma
Eu cuido de tudo, sou Teu escudo
Se a guerra te alcançar Eu também luto
E se precisar chorar Eu enxugo
Cada lágrima que derramar
Eu vou te levar no meu colo
Quando o mundo te fizer chorar
Sozinho você nunca estará
Sua mão vou segurar"
Kemilly Santos - Mais Que Vencedor

[...]

Conheça o motivo que te faz chorar e enfrente-o. Quando você enfrentar, respostas virão. Com essas respostas você traça um novo caminho a seguir e tenta seguir uma vida mais prazerosa.

Seja verdadeiro consigo e com os outros. Se ama, fale. Se não gostou, fale. Não guarde palavras só para si, nem decepções e dores. Você não precisa ser forte sempre, demonstrar a dor, o amor, o afeto, o sentimento, não te faz menos, te faz sábio. Não se engasgue com aquilo que você precisa colocar para fora. Coloque suas mágoas, seus anseios, seus sentimentos para fora. Sem medo. Se o outro não souber receber isso, não é um problema seu, mas dele que não soube compreender esse sentimento. Não espere nada em troca, faça e doe de graça e a graça te preencherá. É difícil, mas não é impossível. Tente!

Ao mesmo tempo em que for verdadeiro, seja empático e amável. Sempre amável. Pondere as palavras, seja comedido. Não ignore seus sentimentos, mas não culpabilize o outro por algo que é seu: as suas expectativas são suas, as suas dores são suas, as suas frustações são suas. Tudo começa aí dentro. Tudo é seu. Pondere isso. Seja verdadeiro com o outro e seja sempre amável. Comece sendo amável consigo mesmo, não se permitindo guardar as coisas só para você, nem sofrendo por precipitação sem colocar para fora o que realmente sente. Depois seja amável com o próximo, com as pessoas. O mundo precisa de amor e você pode ajudar nisso.

"A vida é feita de esperanças e motivos pra sonhar e conquistar e motivos pra sorrir e chorar, pra perder e pra ganhar
O que seria de um vencedor sem suas guerras pra lutar, lutar, lutar?"
Kemilly Santos - Quem Nunca


Você nasceu para ser feliz e amar. Não se esqueça disso!

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