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Desventuras em série: sobre o Decreto nº 9262/2018 que extingue cargos e veta concursos

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Hoje acordei com uma notícia que me deixou apavorado: o veto de concursos para a área de secretariado, tanto nível técnico como superior. Fiquei apavorado e saí correndo para mobilizar amigas e amigos de profissão para buscarmos reverter isso.
Trata-se do Decreto nº 9262, de 09 de janeiro de 2018. Ele “extingue cargos efetivos vagos e que vierem a vagar dos quadros de pessoal da administração pública federal, e veda abertura de concurso público e provimento de vagas adicionais para os cargos que especifica”. Agora a noite, tomei a decisão de ler o documento e buscar entendê-lo melhor (deveria ter feito isso quando acordei, um erro). 
O documento fala de cargos que estão vagos e que podem vir a vagar, conforme as servidoras e servidores forem se aposentando. Ele apresenta uma lista de cargos que hoje estão vagos, dentro de alguns órgãos, que são de diversas áreas do conhecimento, observe: meteorologia, desenhista, vestuário, agropecuária, aeronáutica, artes gráficas, metalúrgica, agríco…

Comitê de Secretariado do DF: sobre sonhos e diversidade humana

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Diferença. É tão difícil escrever sobre diferença, talvez porque essa palavra é repleta de significados que nem sempre direcionam para uma percepção positiva dela.
Sabemos que em uma sociedade onde a hegemonia é idolatrada, ser diferente é ser do contra e tomar uma postura que vai além do padrão aceitável. Agora pergunto: aceitável para quem? aceitável em que contexto?
Boaventura de Sousa Santos, em seu texto A construção intercultural da Igualdade e da Diferença é enfático ao afirmar que “...temos o direito a ser iguais quando a nossa diferença nos inferioriza; e temos o direito a ser diferentes quando a nossa igualdade nos descaracteriza”. Em uma sociedade em que ser diferente me inferioza, eu tenho o direito à igualdade (no tratamento, no acesso aos bens, na construção de direitos...) e em uma sociedade em que ser igual me descaracteriza como sujeito, eu tenho o direito de ser diferente (ter percepções diferentes, jeito de ser valorizado, individualidade respeitada...). O social se …

Pabllo Vittar: precisamos refletir e problematizar esse fenômeno

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Por algumas vezes me deparei com a pergunta: O que você acha sobre Pabllo Vittar? 
Não entendo muito bem porque perguntam isso para mim, talvez por eu ter uma mente aberta sobre várias coisas, talvez por eu ser professor ou por ter feito um mestrado em direitos humanos. Pode ser por tantos motivos que no fim sempre fico inquietado em o que dizer sobre Pabllo.
Percebo que algumas pessoas esperam que eu fale mal, outras perguntam pela curiosidade de entender quem é Pabllo no contexto contemporâneo. Leio muito e confesso que ainda hoje fico em dúvida sobre várias coisas, mas no fim sempre tento mediar minha visão sobre algo sem me deixar ficar preso em uma única perspectiva. Existem tantas coisas nas entrelinhas que precisamos refletir.
Algumas pessoas diriam que por eu ser um homem branco cisgenero não poderia comentar nada sobre, por causa da questão do local de fala, mas confesso (muitos diriam que pelo meu simples "mas" eu já estou errado) que fico receoso com alguns debates p…

Quando falar de Deus é preciso: das moléculas aos poros

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Enquanto penso como vou começar este texto, uma emoção me toma. Uma emoção tão necessária e tão forte que me descontrola e me desloca por um momento para um lugar que me traz paz, calmaria e descanso. 


Os dias não estão fáceis e sinto que é nesse momento em que consigo me perceber como um ser humano que sou. As horas vão passando e a gente vai se esquecendo de algumas coisas necessárias para termos uma vida saudável. Deixamos os nossos egos tomarem conta e esquecemos o tão frágil somos. Criamos armaduras fortes ao nosso redor e como bons atores fingimos que está tudo bem e que as coisas estão exatamente como planejamos. Por dentro, estamos em guerra com sentimentos conflitantes e necessidades distintas. 

Com a correria do dia a dia, não há tempo e espaço para enfrentarmos nossos medos, nossos demônios e assim tentar resolver algumas questões existenciais. Preferimos fugir e fingir, fugir dos problemas e fingir que eles não existem. Alguns até assumem a existência deles, mas pouco conseg…

Ser efeminado em uma sociedade doente: uma análise antropológica

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AVISO: Neste texto, há o uso de palavrões e termos “baixos”.
Esses dias estive pensando: o mundo é tão lindo… Não, o mundo não é lindo.
Sabe aqueles dias que você acorda e começa a revisitar os anos que passaram? Você visita aquelas salas repletas de retratos que guardam em si memórias de um dia que passou e ficou. As vezes, memórias que você não se permitiu reviver, nem tocá-las, por causa do peso e da carga que elas trazem consigo.
Alguns meses atrás, eu não me permitiria reviver essas lembranças. Durante muito tempo acreditei que o melhor era “esquecer” tudo, guardar dentro de uma caixinha lá em cima do guarda-roupa e fingir que não se sabe de nada. E nessa brincadeira, a gente vai deixando de lado e por deixar de lado, não nos permitimos sofrer, chorar, sorrir e experimentar as sensações que a vida tem nos proporcionado. E essas lembranças vão ficando e moldando nossas ações futuras e, pelo incrível que pareça, nem sempre estamos cientes do quanto temos das memórias que não queremo…

Música: Triste, Louca ou Má

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Essa música consegue me desmontar.  Ela consegue nos tirar do lugar comum e nos motivar a sermos mais, sermos mais de nós mesmos.  Pode parecer machista de minha parte pegar uma música que traz consigo um enredo mais feminista e usá-la para refletir os meus problemas psico-sociais, de homem cis branco e de classe média, todavia ela consegue se adequar em diversos panos de fundo.  Para o mundo gay então... Ainda sofremos por causa da heteronormatividade exacerbada enraizada em nossa sociedade.  Com isso, ela não é só uma música para um único grupo, ela é uma forma de protesto à essa sociedade violenta, excludente, categorizadora e homogeneizadora que tenta a todo custo padronizar o convívio humano e suas(seus) sujeitas(os).
Triste, Louca Ou Má
Francisco, El Hombre

Triste louca ou má
Será qualificada
Ela quem recusar
Seguir receita tal

A receita cultural
Do marido, da família
Cuida, cuida da rotina

Só mesmo rejeita
Bem conhecida receita
Quem não sem dores
Aceita que tudo deve mudar

Que um homem não te de…

Secretariado: quando a renovação é necessária

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Enquanto escrevo esse texto, escuto Cartola. É incrível como ele consegue alcançar os nossos corações com canções tão simples e ao mesmo tempo tão verdadeiras e humanas. A que escuto agora é "Preciso me encontrar", uma das minhas favoritas. Gosto da parte em que ele diz:
"Eu quero nascer, quero viver... Deixe-me ir, preciso andar, vou por aí a procurar, sorrir pra não chorar"
Eu quero nascer. Não um nascer carnal, mas um nascer espiritual, da alma, nascer em um mundo onde eu possa ser eu mesmo, sem padrões desnecessários, sem imposições, sem medo de ser feliz e sem dores. Um mundo em que as pessoas me vejam como um ser humano, não como uma máquina produtora de resultados, que estará sempre a disposição, dia e noite, durante a alegria e a dor, sempre com um sorriso no rosto, paletó alinhado e gravata.
Logo no ensino médio decidi que queria fazer graduação em Secretariado Executivo, era um mundo que me encantava. Via as secretárias do lugar onde eu trabalhava como menor…