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Quando falar de Deus é preciso: das moléculas aos poros

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Enquanto penso como vou começar este texto, uma emoção me toma. Uma emoção tão necessária e tão forte que me descontrola e me desloca por um momento para um lugar que me traz paz, calmaria e descanso. 


Os dias não estão fáceis e sinto que é nesse momento em que consigo me perceber como um ser humano que sou. As horas vão passando e a gente vai se esquecendo de algumas coisas necessárias para termos uma vida saudável. Deixamos os nossos egos tomarem conta e esquecemos o tão frágil somos. Criamos armaduras fortes ao nosso redor e como bons atores fingimos que está tudo bem e que as coisas estão exatamente como planejamos. Por dentro, estamos em guerra com sentimentos conflitantes e necessidades distintas. 

Com a correria do dia a dia, não há tempo e espaço para enfrentarmos nossos medos, nossos demônios e assim tentar resolver algumas questões existenciais. Preferimos fugir e fingir, fugir dos problemas e fingir que eles não existem. Alguns até assumem a existência deles, mas pouco conseg…

Ser efeminado em uma sociedade doente: uma análise antropológica

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AVISO: Neste texto, há o uso de palavrões e termos “baixos”.
Esses dias estive pensando: o mundo é tão lindo… Não, o mundo não é lindo.
Sabe aqueles dias que você acorda e começa a revisitar os anos que passaram? Você visita aquelas salas repletas de retratos que guardam em si memórias de um dia que passou e ficou. As vezes, memórias que você não se permitiu reviver, nem tocá-las, por causa do peso e da carga que elas trazem consigo.
Alguns meses atrás, eu não me permitiria reviver essas lembranças. Durante muito tempo acreditei que o melhor era “esquecer” tudo, guardar dentro de uma caixinha lá em cima do guarda-roupa e fingir que não se sabe de nada. E nessa brincadeira, a gente vai deixando de lado e por deixar de lado, não nos permitimos sofrer, chorar, sorrir e experimentar as sensações que a vida tem nos proporcionado. E essas lembranças vão ficando e moldando nossas ações futuras e, pelo incrível que pareça, nem sempre estamos cientes do quanto temos das memórias que não queremo…

Música: Triste, Louca ou Má

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Essa música consegue me desmontar.  Ela consegue nos tirar do lugar comum e nos motivar a sermos mais, sermos mais de nós mesmos.  Pode parecer machista de minha parte pegar uma música que traz consigo um enredo mais feminista e usá-la para refletir os meus problemas psico-sociais, de homem cis branco e de classe média, todavia ela consegue se adequar em diversos panos de fundo.  Para o mundo gay então... Ainda sofremos por causa da heteronormatividade exacerbada enraizada em nossa sociedade.  Com isso, ela não é só uma música para um único grupo, ela é uma forma de protesto à essa sociedade violenta, excludente, categorizadora e homogeneizadora que tenta a todo custo padronizar o convívio humano e suas(seus) sujeitas(os).
Triste, Louca Ou Má
Francisco, El Hombre

Triste louca ou má
Será qualificada
Ela quem recusar
Seguir receita tal

A receita cultural
Do marido, da família
Cuida, cuida da rotina

Só mesmo rejeita
Bem conhecida receita
Quem não sem dores
Aceita que tudo deve mudar

Que um homem não te de…

Secretariado: quando a renovação é necessária

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Enquanto escrevo esse texto, escuto Cartola. É incrível como ele consegue alcançar os nossos corações com canções tão simples e ao mesmo tempo tão verdadeiras e humanas. A que escuto agora é "Preciso me encontrar", uma das minhas favoritas. Gosto da parte em que ele diz:
"Eu quero nascer, quero viver... Deixe-me ir, preciso andar, vou por aí a procurar, sorrir pra não chorar"
Eu quero nascer. Não um nascer carnal, mas um nascer espiritual, da alma, nascer em um mundo onde eu possa ser eu mesmo, sem padrões desnecessários, sem imposições, sem medo de ser feliz e sem dores. Um mundo em que as pessoas me vejam como um ser humano, não como uma máquina produtora de resultados, que estará sempre a disposição, dia e noite, durante a alegria e a dor, sempre com um sorriso no rosto, paletó alinhado e gravata.
Logo no ensino médio decidi que queria fazer graduação em Secretariado Executivo, era um mundo que me encantava. Via as secretárias do lugar onde eu trabalhava como menor…

Um pouco de história: 1001 Noites

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Por Jefferson Sampaio
O nosso refúgio era no motel “1001 Noites”, de Taguatinga. Quando entrávamos naquele quarto, o mundo acabava, éramos somente nós dois, dentro de quatro paredes.
As vezes nem transávamos, ficávamos ali assistindo TV, sorrindo, beijando, amando um ao outro, sem olhares de reprovação, sem ninguém dizendo que aquilo não era certo, sem padrões de certo ou errado… era só amor.
No fim da tarde, as vezes da noite, a moça sempre dizia: “houve consumação?”. As vezes tinha, pagávamos, outras não. Aquela moça, mesmo sem saber, fazia parte de nossa história.
Lembro, ainda hoje, da primeira vez que entramos naquele motel. Eu morrendo de vergonha, ele também. Os nossos olhos entrelaçavam. Um entrou rapidamente, depois o outro entrou e pedimos um quarto. Uma aventura inesquecível.
Depois de um momento notamos que ali éramos só mais dois clientes. Certa vez, quando íamos pagar notamos que havia uma fila com mais dois casais (héteros) esperando para pagar também, eles nos olharam e …

Música: Preciso me encontrar

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E a música de hoje é "Preciso me encontrar", de Cartola.
A mais linda de todas.

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer...

Música: Sem fantasia

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E a música do dia é "Sem fantasia", de Chico Buarque. Vamos nos deliciar:


Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer

Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perde-te em meus braços
Pelo amor de Deus
Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu
Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus